Tamborilava na mesa dedos sem ritmo
A felicidade lhe respirava ofegante
Naquela velha angústia constante
De já não mais dormir no íntimo
Aos sons do dia
Ao silêncio da noite
Às alegrias
Ou ao seu açoite.
A espera calava em sua boca
E a esfera de moldes sem face
Rompia impiedosa um enlace
Fundamentado em casca oca.
À calmaria do dia
À turbulência da noite...
sexta-feira, 5 de abril de 2013
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Letras Soltas
Na cidade
Um olhar perdido,
Um amor achado.
O cheiro da fumaça;
O incômodo da superficialidade.
Pelas ruas da cidade,
Uma vida inacabada,
largada à violência desmedida
Resta o grito mudo da massa,
E medíocre é a superioridade.
Na vaguidão da sociedade,
Critérios se perdem invertidos,
Ruidosos sejam os desencontros marcados,
Saudoso seja o silêncio da raça
Subjugado por nossa sonora realidade.
Extinta a consciência da humanidade
O ódio de amores interminados
Embarga o caminho da paz em corações partidos
E não há quase, amor que bem faça
A quem se apraz de avançada idade.
Um olhar perdido,
Um amor achado.
O cheiro da fumaça;
O incômodo da superficialidade.
Pelas ruas da cidade,
Uma vida inacabada,
largada à violência desmedida
Resta o grito mudo da massa,
E medíocre é a superioridade.
Na vaguidão da sociedade,
Critérios se perdem invertidos,
Ruidosos sejam os desencontros marcados,
Saudoso seja o silêncio da raça
Subjugado por nossa sonora realidade.
Extinta a consciência da humanidade
O ódio de amores interminados
Embarga o caminho da paz em corações partidos
E não há quase, amor que bem faça
A quem se apraz de avançada idade.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Velhice Urbana
Como novos trens correm estes janeiros
A deixar a estação da juventude
Todos a bordo!, abandonam suas virtudes
Partindo sem medo, os velhos jovens obreiros.
Como loucos, correm sós, sem parceiros,
Todos aqueles que, em sua solitude
Escondem-se em seus hábitos de natureza rude
Esqueceram-se dos valores, ó meros passageiros
Esta imensa confusão que o concreto causa à essência
Apenas lhes permite ver, atrás da cegueira de alma
Que a tudo veem muito claro, em meio humano
Enquanto o ritmo desenfreado desta eterna turbulência
Maltrata-os pela desfocada esperança de calma;
Aprisiona pesadelos e realidade, iguais num mesmo plano.
A deixar a estação da juventude
Todos a bordo!, abandonam suas virtudes
Partindo sem medo, os velhos jovens obreiros.
Como loucos, correm sós, sem parceiros,
Todos aqueles que, em sua solitude
Escondem-se em seus hábitos de natureza rude
Esqueceram-se dos valores, ó meros passageiros
Esta imensa confusão que o concreto causa à essência
Apenas lhes permite ver, atrás da cegueira de alma
Que a tudo veem muito claro, em meio humano
Enquanto o ritmo desenfreado desta eterna turbulência
Maltrata-os pela desfocada esperança de calma;
Aprisiona pesadelos e realidade, iguais num mesmo plano.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Obsolência
Me reduz a alma a confusão, tirando dela toda a paz
Este pesado fardo que a mim é tua existência
Agora se cria grave, presente e austera consciência
Mudando os caminhos deste objetivo sem espírito, tenaz
Altiva a desconcordância, a alma se esgueira fugaz
Desconsidera toda a pura e fria essência,
Nutrindo por toda a firme razão, firme (e obstinada) carência
Nos passos turvos de ânsia que esta caminhada lhe traz
Mas persiste, por fim, inexistente, qualquer infelicidade
Pois tendo ao pouco necessário a somente se viver
Comunhão e equilíbrio vêm a quem lhes atribui necessidade
Então se acaso feres o instinto, caindo em falência de atividade,
O coração, de instintivo bom senso humano o volta a conter
Pois aqueles prostrados aos pés do desejo encontram finalmente.
Este pesado fardo que a mim é tua existência
Agora se cria grave, presente e austera consciência
Mudando os caminhos deste objetivo sem espírito, tenaz
Altiva a desconcordância, a alma se esgueira fugaz
Desconsidera toda a pura e fria essência,
Nutrindo por toda a firme razão, firme (e obstinada) carência
Nos passos turvos de ânsia que esta caminhada lhe traz
Mas persiste, por fim, inexistente, qualquer infelicidade
Pois tendo ao pouco necessário a somente se viver
Comunhão e equilíbrio vêm a quem lhes atribui necessidade
Então se acaso feres o instinto, caindo em falência de atividade,
O coração, de instintivo bom senso humano o volta a conter
Pois aqueles prostrados aos pés do desejo encontram finalmente.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Más notícias...
Os temporários vitupérios improdutivos voltaram trazendo consigo um reservado desejo de morte como daqueles antigos, dor aguda e inconsciente. Inconsciente e, é claro, superficialmente sem causa. Mas qual foi o homem que decidiu, por nós todos, que toda dor e toda angústia tem de ser causada por algum motivo digno? Pois, caso encontrem o sujeito, digam a ele que tenho objeções concernentes.
Ora, se nem mesmo as causas daquele maldito amor pode encontrar o homem conhecedor, e nem mesmo o soluço -sim, o soluço, aquele que temos na dignidade ignorante do jantar em família- foi explicado, por que raios devo saber da minha própria dor? Passa a saudade, passa o carinho, passa a vontade, e que culpa tenho eu desta minha condição de sofredora dos inconstantes pulsos de indecisão e angústia? Que culpa tenho eu de tantas vontades mal pagas? Que culpa tenho eu de habilidades tão escassas? Que culpa tenho eu de tamanhas dores?
Pois possuímos o destino em sonho, mas ele não o condiz; possuímos crenças incrédulas e ninguém percebe, ninguém sabe como não viver para criticar e sim para ajudar; não tem culpa, mas dói como se tivesse. Culpar, aliás, é muito difícil, por ser o mais fácil a se fazer.
Já explico; antes mesmo das fatais respostas que os explicadinhos possuem sempre guardadas em sua vasta bagagem: Se o sonho condiz com a realidade, não é mais sonho, e coitados dos sonhadores, desamparados; Os realistas não saberiam lidar com sonhadores desamparados; Ficariam todos loucos. E por que não um mundo só de realistas? Muito prático, muito calculado. Até que chegassem por fim à loucura da falta de beleza que os sonhadores -bons amantes, por sinal- espalham pelo mundo como desapercebidos. E é provável que esteja bem aí a grande diferença entre os sonhadores e os não sonhadores: um simplesmente vive, enquanto o outro planeja e cria vida. Vidas. Ou não tão vidas assim.
E nesta explicação eterna onde eu me confundo e falho em todo o resto, nesta interminável -até terminar- resolução mal resolvida da vida, perdeu-se mais uma vez o encanto, ganhou-se mais uma vez aquilo que já foi dito. Mas continuamos vivendo nesta condição miserável de existência rebelde e acomodada ao mesmo tempo, continuamos pois é natural, continuamos sofrendo por obtenção de prazer -outra questão não explicada-, continuamos e, sinceramente? Admito sim que esta mudança eu não quero admitir. Nem você.
Ora, se nem mesmo as causas daquele maldito amor pode encontrar o homem conhecedor, e nem mesmo o soluço -sim, o soluço, aquele que temos na dignidade ignorante do jantar em família- foi explicado, por que raios devo saber da minha própria dor? Passa a saudade, passa o carinho, passa a vontade, e que culpa tenho eu desta minha condição de sofredora dos inconstantes pulsos de indecisão e angústia? Que culpa tenho eu de tantas vontades mal pagas? Que culpa tenho eu de habilidades tão escassas? Que culpa tenho eu de tamanhas dores?
Pois possuímos o destino em sonho, mas ele não o condiz; possuímos crenças incrédulas e ninguém percebe, ninguém sabe como não viver para criticar e sim para ajudar; não tem culpa, mas dói como se tivesse. Culpar, aliás, é muito difícil, por ser o mais fácil a se fazer.
Já explico; antes mesmo das fatais respostas que os explicadinhos possuem sempre guardadas em sua vasta bagagem: Se o sonho condiz com a realidade, não é mais sonho, e coitados dos sonhadores, desamparados; Os realistas não saberiam lidar com sonhadores desamparados; Ficariam todos loucos. E por que não um mundo só de realistas? Muito prático, muito calculado. Até que chegassem por fim à loucura da falta de beleza que os sonhadores -bons amantes, por sinal- espalham pelo mundo como desapercebidos. E é provável que esteja bem aí a grande diferença entre os sonhadores e os não sonhadores: um simplesmente vive, enquanto o outro planeja e cria vida. Vidas. Ou não tão vidas assim.
E nesta explicação eterna onde eu me confundo e falho em todo o resto, nesta interminável -até terminar- resolução mal resolvida da vida, perdeu-se mais uma vez o encanto, ganhou-se mais uma vez aquilo que já foi dito. Mas continuamos vivendo nesta condição miserável de existência rebelde e acomodada ao mesmo tempo, continuamos pois é natural, continuamos sofrendo por obtenção de prazer -outra questão não explicada-, continuamos e, sinceramente? Admito sim que esta mudança eu não quero admitir. Nem você.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Filhinho,
- Olha aqui pra mamãe, olha? Quem é o nenê? Quem?
- Filhinhô, fala ma-mãe. Ma-mãe. Coisa linda!
- Filhinhô, vem cá, vem. Assim, um pézinho primeiro.. isso! Parabéns!
- Filhinhô... tira a mãozinha daí, tira...
- Filhinhô... não põe isso na boca não, faz dodói!
- Filhinho, sai de traz do fogão, sai!
- Filhinho, acorda, hora da escolinha.
- Filhinho, acorda, hora da escola.
Filhinho...
- Filhinho, que notas são essas, hein?
- Filhinho, senta aqui que a gente precisa conversar...
- Filhinho, onde é que você vai? - minutos e explicações depois - nada disso, nem pensar, filhinho.
Filhinho, filhinho...
- Filhinho, tem certeza que você quer isso mesmo?
- Filhinho, estou tão orgulhosa...
- Filhinho, hoje você vai dormir em casa, né?
- Filhinho, que é isso aí no seu bolso?
- Filhinho, quem é esse aí na foto? E aquela?
- Filhinho, quem é essa?
- Filhinho, ela não é meio... estranha?
- Filhinho, e a faculdade, como vai?
- Filhinho, terminou com ela? Ainda bem.
- Filhinho, outra? Assim, de repente? É boa moça?
- Filhinho, a de antes era tão mais legal...
- Filhinho, espera um pouco, vocês são tão jovens, tem certeza?
- Filhinho, você sabe que pode voltar quando quiser, né?
- Filhinho, ela cuida bem de você?
- Filhinho, como assim, "filhinho"?
- Filhinho, quando é que vocês vem?
- Filhinho, papai está muito mal...
- Filhinho, eu estou muito mal...
- Filhinho, adeus.
- Filhinhô, fala ma-mãe. Ma-mãe. Coisa linda!
- Filhinhô, vem cá, vem. Assim, um pézinho primeiro.. isso! Parabéns!
- Filhinhô... tira a mãozinha daí, tira...
- Filhinhô... não põe isso na boca não, faz dodói!
- Filhinho, sai de traz do fogão, sai!
- Filhinho, acorda, hora da escolinha.
- Filhinho, acorda, hora da escola.
Filhinho...
- Filhinho, que notas são essas, hein?
- Filhinho, senta aqui que a gente precisa conversar...
- Filhinho, onde é que você vai? - minutos e explicações depois - nada disso, nem pensar, filhinho.
Filhinho, filhinho...
- Filhinho, tem certeza que você quer isso mesmo?
- Filhinho, estou tão orgulhosa...
- Filhinho, hoje você vai dormir em casa, né?
- Filhinho, que é isso aí no seu bolso?
- Filhinho, quem é esse aí na foto? E aquela?
- Filhinho, quem é essa?
- Filhinho, ela não é meio... estranha?
- Filhinho, e a faculdade, como vai?
- Filhinho, terminou com ela? Ainda bem.
- Filhinho, outra? Assim, de repente? É boa moça?
- Filhinho, a de antes era tão mais legal...
- Filhinho, espera um pouco, vocês são tão jovens, tem certeza?
- Filhinho, você sabe que pode voltar quando quiser, né?
- Filhinho, ela cuida bem de você?
- Filhinho, como assim, "filhinho"?
- Filhinho, quando é que vocês vem?
- Filhinho, papai está muito mal...
- Filhinho, eu estou muito mal...
- Filhinho, adeus.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A Mão
A mão veio se achegado, ainda distraída mesmo, sem saber para onde se rastejava. A outra estava ali, sem tristeza, nem felicidade; apenas estava.
A mão chegou perto, e ainda que algo a puxasse, só continuava pois ainda não tinha aonde ir. Não percebia, apenas vivia aquela busca por nada. Tocaram-se.
Mas foi sem querer, do nada, como podia aquilo? Um simples toque. Tudo aquilo.
O toque foi involuntário, mas mais involuntário foi o que o seguiu. Uma sequência, uma frequência, só de toques, entre aquelas duas mãos, agora um tanto úmidas de um suor repentinamente frio; muito ávidas daquelas toques instintivamente quentes.
Passou a primeira mão a envolver a segunda com seu gesto um tanto -muito- evasivo. Ela cedeu, ainda que fingindo não perceber. As respostas eram impulsos, os impulsos tomaram consciência. Uma consciência meio escondida, uma distração. Os olhos seguiram a mão. Encontraram-se. Um impacto, quase vacilaram, os olhos, subitamente começando a pensar em olhar para outro lado, mas a curiosidade era maior do que a própria hesitação involuntária. Mantiveram um mesmo olhar, curioso, impreciso, um tanto vacilante, mas sempre ali, no outro. Tentaram entender. Foi impossível.
Que era aquilo? Quem era aquela? Só pôde continuar ali, olhando para ela, com as mesmas mãos, agora ligeiramente trêmulas. As mãos estavam bem ali, como sempre estiveram, talvez esperando, talvez apenas estando, mas não importava, nada importava além daquilo, além das mãos. Envolveram-se mais e mais, sem desviar o olhar, e seguraram uma a outra, com força. Nada era dito, e nem de dizeres havia necessidade, naquele mar de obsolências abstratas que chamavam vida -isso antes daquele momento, mais tarde seu significado viria a mudar- a não ser, aquele momento. A não ser aquelas mãos.
A mão chegou perto, e ainda que algo a puxasse, só continuava pois ainda não tinha aonde ir. Não percebia, apenas vivia aquela busca por nada. Tocaram-se.
Mas foi sem querer, do nada, como podia aquilo? Um simples toque. Tudo aquilo.
O toque foi involuntário, mas mais involuntário foi o que o seguiu. Uma sequência, uma frequência, só de toques, entre aquelas duas mãos, agora um tanto úmidas de um suor repentinamente frio; muito ávidas daquelas toques instintivamente quentes.
Passou a primeira mão a envolver a segunda com seu gesto um tanto -muito- evasivo. Ela cedeu, ainda que fingindo não perceber. As respostas eram impulsos, os impulsos tomaram consciência. Uma consciência meio escondida, uma distração. Os olhos seguiram a mão. Encontraram-se. Um impacto, quase vacilaram, os olhos, subitamente começando a pensar em olhar para outro lado, mas a curiosidade era maior do que a própria hesitação involuntária. Mantiveram um mesmo olhar, curioso, impreciso, um tanto vacilante, mas sempre ali, no outro. Tentaram entender. Foi impossível.
Que era aquilo? Quem era aquela? Só pôde continuar ali, olhando para ela, com as mesmas mãos, agora ligeiramente trêmulas. As mãos estavam bem ali, como sempre estiveram, talvez esperando, talvez apenas estando, mas não importava, nada importava além daquilo, além das mãos. Envolveram-se mais e mais, sem desviar o olhar, e seguraram uma a outra, com força. Nada era dito, e nem de dizeres havia necessidade, naquele mar de obsolências abstratas que chamavam vida -isso antes daquele momento, mais tarde seu significado viria a mudar- a não ser, aquele momento. A não ser aquelas mãos.
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