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quinta-feira, 9 de abril de 2015

O astronauta

Quando criança,
queria ser astronauta
um dia, cresceu
e tornou-se o melhor
de todos os que o mundo podia ter
só era uma pena
não poder perceber isso
por estar ocupado demais
lavando o chão dos banheiros
de um shopping center.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pela janela do ônibus

Na rua daquela igreja
há uma kombi incinerada
representando a decomposição
de tudo aquilo que (não) vive
nas ruas duras dessa cidade

Mais adiante, na mesma calçada
ciscando, condicionado
um grupo de ex-galos-de-rinha
só espera, da vida e do mundo
encontrar milho entre as folhas secas.

terça-feira, 10 de março de 2015

Crise da crise

Passado o tempo do eu abstido
Volveu correndo à doce morada
Que sabia não ser coisa ordenada
Largar assim ao favor esquecido

Nunca haveria mesmo de ter  partido
Fosse a paixão uma causa pensada
Mas sendo de ardil natureza intrincada
Sem convite ocupou o seio escolhido

Eis que porém arrepende-se agora
Mas que nunca ousasse voltar
Antes o faça, mesmo com mora

Bom é o tino que assim aflora
Já que de vida só se leva provar
Vive o de dentro e também de fora.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Como pode

Parece melhor parar
De vez
De achar
Que gostar
Tem a ver com sensatez

Pode ser, amor
Que a tez
Seja horror
E haja dor
Pra curar na embriaguez

Talvez seja bom
Que assim
Nesse tom
Meio marrom
Se acabe o início (que não teve fim).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Araraquara

Há um bichinho bem pequeno
Quase que cabe na palma da mão
Mas prefere morar na cabeça
Instalando o caos e a confusão

Seu ofício é implantar a dúvida
Come indecisão no café da manhã
Se no almoço a despretensão é fúlgida
Já de tardinha ele é só afã.

Bicho difícil de lidar,
É esse que não pode ter nome
Pois  se arisco é seu apelido
Definição há de matá-lo de fome.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Bolo formigueiro

O amor é um moleque mimado
Brincando no quintal o dia inteiro
Lá pelas tantas há de ser chamado
A comer bolos, pelo doce cheiro.

A tarde toda esteve debruçado
Sobre o fascínio de um formigueiro
Lupa em riste, há de ter carbonizado
Mais de mil corpos, o maldito traiçoeiro.

Ainda assim recebe destiladas doçuras
E oferece em troca, um abuso;
Pirotecnias com a face de sua loucura

O amor é ingrato até à alma mais pura
E não lhe negam nem um parafuso
A executar nos corpos sua louca tortura.

Bolo formigueiro

O amor é um moleque mimado
Brincando no quintal o dia inteiro
Lá pelas tantas há de ser chamado
A comer bolos, pelo doce cheiro.

A tarde toda esteve debruçado
Sobre o fascínio de um formigueiro
Lupa em riste, há de ter carbonizado
Mais de mil corpos, o maldito traiçoeiro.

Ainda assim recebe destiladas doçuras
E oferece em troca, um abuso;
Pirotecnias com a face de sua loucura

O amor é ingrato até à alma mais pura
E não lhe negam nem um parafuso
A executar nos corpos a tortura.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Resumo

Existem Momentos no dia
Em que o sentimento é pura coragem
E tantos outros em que sua imagem
É o ato de maior covardia

Em confusão e nessa agonia
Frio enfatiza o fado da viagem
Outro vento sopra quente mensagem
Que toda perda tem valia

Do inimigo recosta ao seio
Que a cada instante tua face imuta
Tens a insídia e o asseio

Satisfaz apenas o anseio
Que seja essa desilusão absoluta
E o resto da vida é passeio.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Há Mais Coisas

Entre um e outro edifício
Se esconde uma nuvem e um pedaço
Do céu

Entre um recuo e um impulso
Se fez o suor e o cansaço
De ser

Entre A Luz e uma Sé
Caminham as sombras e formas distintas
De pressa

Entre uma perda e o sorriso final
Estão milhares de estranhos sentimentos
De culpa.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ode À Voz

Sempre calma, vem chegando ao ouvido
Lentamente, há de invadir toda a sala
E com a conhecida serenidade da fala
Se abrirá no espaço, apertando o sentido.

Tranquilamente, o baixo tom imprimido
Alivia o desolado barulho, que cala
É uma voz linda, que jamais se abala
Ainda que em meio a todo o caos vivido.

Voz, que vicia ao âmago do ser
Cuja pacificidade é contágio voraz
Transformas o ouvir num excelso prazer.

Não desconfias do enorme poder
Mas ao sorrir tu transmites essa paz
E tudo o que é bom cerca esse teu viver.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Fotofobia

Enquanto a luz não revelar teu amor
Eu não hei de ansiar por ela

Ando com medo do que é muito claro
Temo às entranhas tudo que for óbvio
Já que o próprio fim é seco e sóbrio
Se a própria vida é de valor tão raro

Sejam as árvores ornamentais
Usem máscaras todos os rostos
Soará mais alta que os altos postos
A intrepidez das palavras reais

Enquanto enxergarmos nada além da dor
Não haverá sequer chama de vela

sábado, 23 de novembro de 2013

Temas

Há uma rachadura no teto
Que é o mapa de nossa ruína
Há sobre os mortos concreto
Como se não bastasse a chacina

Há uma camisa amassada no chão
Porque talvez o amor ainda exista
E há também o velho amar em vão
Pois não há amor que à vida resista

Há setenta e duas gotas de chuva
Que sobre nós caíram durante a noite
Há ainda uma estrada sem curvas
Dizem que segui-la é um enorme açoite.

Há cheiros impregnados na pele
Suas essências em longas memórias
Cheios do sentir que a alma expele
Cheiros fortes do suor de glórias

Há em toda desgraça comédia
E nem em toda comédia há graça

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Elixir Natural

Sem traço,
Sem nome,
Sem fome,
Sem laço.

Ao abraço 
Consome
E some
No espaço.

Simples, livre e solto.
Desancorado
Leve o amor.

Em vida envolto
Desapegado
De toda dor.

sábado, 9 de novembro de 2013

Algo De Fútil

Naquela insolente esteira rolante 
Da miscigenadíssima linha amarela
Sou um boi pronto para seu abate
Ou leitão que já gordíssimo se esgoela.

Nesta velocidade inconstante
Com que desconheço leis da física
Rumamos todos ao mesmo abismo
Da ignorância mais seca e tísica.

Muito melhor é estar ao volante
E controlar a doce e grande ilusão 
De ser subordinado de uma ditadura
Para chegar à almejada direção.

Sinto-me exatamente como um boi, 
Exatamente como o boi que como
E que agora não sente mais nada:

Abate, 
Abismo, 
Ditadura...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Contradita

Pobre poeta enganado
Desertado por quem mais ama
Hoje deita-se, chora e reclama
Na dor do pesado fado

Deixaram-no, pobre coitado
Palavras da endeusada proclama
Que há tanto cultivava em chama
Própria ao tolo lesado.

Pobre poeta traído
À mercê desta contradição
Hoje carrega a desgraça

Pobre poeta perdido
Não sabe mais de seu coração
Foi preso à própria caça

sábado, 19 de outubro de 2013

Soneto do Descompromisso

À noite que vi caída sobre os seus lares
Ao som que sai das ruas insidiosas
À lua, que assiste a tudo impetuosa
Aos olhos cujas lágrimas se enxugam nos bares

Aos jovens dos quais fogem rubros os ares
Quando vivem por paixões tempestuosas
À ausência de paixões nesta alma lustrosa
Quando ainda assim dela são ausentes pilares

Dedico feliz a doce ausência do sentimento
A força intrépida do enfrentar sem gosto
Pois não é crime viver sem motivo

A vós dedico o belo anseio do crescimento
Maior até do que a mim própria é posto
Pois não se vive apenas de incentivo.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Evitando Pensamentos

Entra em casa, fecha a porta
Bolsa sobre a mesa, suspiros de cansaço
Olha a geladeira, pela janela, para o espaço
Nada, nada, é como uma mente morta.

Chinelos, e os pensamentos... Corta!
Geladeira novamente, mas aquele abraço
A distração foi involuntária, é um palhaço
Chega, chega, não pode, não importa.

Essa ansiedade de tamborilar os dedos
Esse antigo desapego, agora perturbado
É desimportante, é engano puro e ledo

Estruturas talvez abaladas, talvez medo
Mas falar em sentimento é falar equivocado
Quando sentimento verdadeiro é aquele no lêvedo.



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Aceitação

Pois bem, que se consegui dormir um pouco
Foi pela insensibilidade das flores ornamentais
Porque em resposta aos bons temperamentais
Deixaram não mais que apelo fingido e rouco.

Disse ao espírito daquele pobre e louco
Que de tanto guerrearem em verdades pessoais
Conquistaram só os distúrbios comportamentais
Que os trouxe aos joelhos, velhos e ocos.

O inferno da inconsistência questiona
Bate à porta, perturba o talvez insensível
Coíbe o mártir do que se aprisiona

A angústia à instabilidade o pressiona
Vê-se ao fim sem  saída, o desprezível
Aceita o fardo miserável da frieza à tona!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Grandes Atos

O preço da passagem é um roubo
Isso não tá certo
Mãos para o alto três e vinte é um assalto
O gigante acordou
Chupa governo
Viva o comunismo
Vamos tomar o poder
Polícia cão-de-guarda do governo
Não pensa
Só obedece
Exigimos reajuste salarial aos médicos
E frentistas
E a todos os meus amigos funcionários públicos um beijo gente
Legalize já porra
Regulamentação aos profissionais do sexo
Jovens unidos
Ei você aí você é um conformado
Vá se foder seu rebeldezinho de merda
Viva la revolución
Cotas para negros em concursos públicos
Abaixo à manipulação da mídia
Vote em mim não nele não vote em mim
Copa é o caralho

Oi meu nome é Daniele Molina e eu sou escritora (sem vírgulas).

sábado, 4 de maio de 2013

Fúria da Existência

A tranquilidade já vencida, idealizada
Na incerteza imensa do futuro
Tornou-se por si só um muro
Que bloqueia a criação conturbada.

Os sons daquela agonia calada
Veículos podres do espírito imaturo
Ecoavam agudos no átrio mais obscuro
E ao certo invadiram os portos do nada.

Ausência confusa do quente desejo
Pôde apenas remeter a todo o desespero
Faça visto o vão empenho ao sentimento.

E sobre o vácuo do singelo gracejo
Que seja posto valor de porte austero
Pois já não mais sacia o amor de momento.