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domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Branca de Neve Junkie

Depois de provas tenebrosas, processos seletivos, listas de classificação, gritos de alegria, medo de trote, revoltas com a passagem, eis que surge novamente a autora psicologicamente instável deste blog cretino, mais alta, mais forte, mais sábia e mais bonita (ignorem a ultima palavra, por favor).
E seria normal pensar: provavelmente, desta vez, ela teria alguma coisa produtiva para postar aqui, mas não! Isto nunca acontecerá! Enfim, temos aqui uma história muito conhecida, de tal aí, que foi mal contada durante séculos. Venho aqui esclarecer esta palhaçada toda!
Caso você tenha tido infância, certamente deve lembrar-se de que um requisito básico a um conto estúpido é o seu começo mais do que peculiar, seguindo a maldição, digo, tradição milenar, famoso e batido “era uma vez” (mais batido do que luto em velório). Pelo menos essa é minha opinião, mas agora, ela não é importante, porque a partir de agora, não existo. Pois, é, mas esqueçam as festas, vocês também não existem queridos. Já explico: a história a seguir, por sua vez fictícia e não recomendada para cults, moralistas e/ou pessoas frescas e donas de gostos refinados - leia-se pessoas que lêem romances proibidos para diabéticos e acham que são intelectuais - passa-se no período medieval da história desse mundo velho e sem porteira, provavelmente em um castelo irlandês ou escocês incrivelmente maravilhoso, feito de pedra e cercado por um jardim muito maior do que o bairro onde você mora, sendo habitada por uma família real, ou seja, mulheres safadinhas com caras de santas, homens frescos que maltratam as tais, crianças pestes, mimadas e arrogantes, e esse tipo de coisa.
E com certeza, o camarada insano e suicida em potencial que suportou sabe Deus como ler esse troço até este ponto, deve com toda a razão perguntar-se o que pode haver de interessante num lugar como este? Em pessoas como tais?
A resposta, clara e objetiva é: nada. Ou quase nada, exceto por um único detalhe: a observação é uma dádiva divina, caro Watson. E a autora estúpida dessa joça nunca chega a lugar algum... E isso tudo foi, com certeza, armado para não dar o braço a torcer, e dizer logo: “era uma vez...” AH, voltando então, ao castelo magnificamente estupendo, essa é a história da Branca de neve, aquela que como diria o mestre: “todos vêem, mas poucos enxergam”. Ela era uma menina feliz e saltitante, que vivia naquele maldito castelo que eu não consigo parar de pensar, com a mãe e o pai, um rei muito bom e generoso, porém desprovido de perspicácia –leia-se burro - que era um ótimo pai, um ótimo rei e é claro, como nunca poderia deixar de ser, um corno espetacular, para cantor sertanejo nenhum botar defeito. Mas esse é um termo pejorativo, que não será mais utilizado nesta merda de história, porque como todos perceberam, eu odeio termos pejorativos, e porque provavelmente, minha avó lerá isto (e para provar por A+B que todos os seres humanos mentem, ela dirá que ficou ótimo!). Mas mesmo assim, fazer o que, ele era corno mesmo, e a culpa não é nenhum pouco minha, porque eu não sou a rainha. A va... digo, Ra! RAINHA, era tão desprovida de vergonha na cara, que foi assassinada pelo chapeleiro, o amante, quando este descobriu o romance com o condutor de charretes! Ora, vamos, não seja tolo de se perguntar de onde saiu esta idéia infame! É a verdade. O rei, levemente babaca, não entendeu o motivo que teria um chapeleiro para matar uma rainha na porrada. O chapeleiro não entendeu porque foi condenado a forca, porque até então, nem que ela era rainha o coitado sabia. O rei entra em depressão, e a menina, tendenciosa e geneticamente safada, aprendeu uma lição: por mais otários que sejam os homens ao seu redor, você deve tomar muito cuidado com eles. Discrição acima de tudo. Faça tudo parecer um acidente. Al Capone rules! Com a morte da primeira, não faltaram mulheres tão falsas e dissimuladas quanto ela para ficar com a coroa, as jóias e o panaca, que apesar de tudo, não era de se jogar fora.
Em dois meses, já estava lá, uma pior do que a rainha. Foi ficando entediada, e entre um camponês lenhador aqui e um jardineiro acolá, gostava bastante de infernizar a vida da garota, que igualmente safada, se encarregava dos filhos dos camponeses e jardineiros. O tempo passando, e um dia o rei descobre que possui câncer no cérebro e cinco dias de vida (medicina medieval surpreendentemente avançada) e logo esticou as canelas. Com isso, a convivência no castelo ficou insuportável, e a jovem fugiu, e para parecer bem rebelde e chocante, resolveu virar a primeira junkie dos contos de fadas, e foi morar na floresta, talvez para procurar elfos e duendes, ou talvez por falta de sensatez e astúcia (percebam que não há muita diferença entre as duas hipóteses). Na floresta, ela encontrou sete homens e ficou ali, morando com eles, numa casinha perto de uma árvore bem grande, e... O QUÊ? Morando ali, com sete homens? Ao melhor estilo “girls just wanna have fun?” Fácil assim? Mas, mas, como... Oh, este mundo está perdido! Moças de família não fazem esse tipo de coisa, não! Cadê a moral? Os bons costumes? A realeza, a decência, onde foram parar? Ah, mas não importa agora! Todos aqui já perceberam que nesta história, assim como na da cinderela, não existem tais palavras. E depois de algum tempo com os “amigos”, Branca de Neve, que tem esse nome ridículo devido ao fato de seu pai biológico ser o homem que limpava a neve do inverno, e de sua mãe não valer uma bala mascada, resolveu dar o fora, mas os homens não queriam porque não havia por ali nenhuma outra garota. Amarraram-na a uma cama, e deram-lhe um boa noite cinderela, que também serve para outras princesas. Enquanto, no meu castelo-sonho-de-consumo a madrasta que nascera puta, digo, que ficara puta por conta do desaparecimento da menina, que quando fugiu levou consigo todas as jóias e toda a grana do castelo, decidiu ir atrás e caçar a menina, nem que fosse a ultima coisa que fizesse, para pegar algo que não era seu por direito, mas que ela insistia em achar que era. E a pistoleira era tão ruim, mas tão ruim que acabou achando a casa dos strippers (anões, é?) escondida na floresta. Quando eles viram a madrasta, pensaram em trocar as duas, e soltar a mais jovem, já que tinham por ela “um apreço imenso” e a outra parecia muito melhor para aquilo que eles queriam, se me entendem. Foram ao centro do vilarejo, acharam o primeiro príncipe otário, digo, aventureiro, dono de uma belo par de olhos verdes, sangue azul e cérebro transparente (eu quis dizer inexistente), disseram-no que havia um feitiço e ele teria de beijar a branca de neve para que ela acordasse daquilo que médicos chamam de coma alcoólico, médiuns chamam de experiência de quase morte, e os irmãos Grimm chamavam apenas de sono profundo. Após cumprido o protocolo, os dois despediram-se de todos, subiram em seu cavalo branco, e partiram rumo a um castelo igual ao outro, e viveram felizes para sempre, ou até o dia em que Branca de Neve foi brutalmente assassinada por um carpinteiro que descobrira seu caso com o mordomo... E fim, graças a Deus! Minha tendinite agradece, pessoal!

domingo, 30 de maio de 2010

A careca da Rapunzel...

Olá, mamíferos, ovíparos, cnidários, répteis e marsupiais, herbívoros e canibais, vegetarianos e carnívoros, onívoros e lipídios, seres vivos ou mortos, reencarnados e afins... Hoje teremos a honra, ou melhor: o privilégio de contar a vocês mais uma historinha boba, inútil e maravilhosamente sem sentido: a careca da Rapunzel! Você, assim como eu, meus primos, irmãos e amiguinhos do pré, e como toda boa criança, com toda a certeza já ouviu a história da Rapunzel, uma menina que foi trancafiada numa torre, e vivia sob o feitiço de uma bruxa, e foi salva por um príncipe, e nhém, nhém, nhém... Enfim, é mais ou menos verdade, mas tem muitas partes que preferiram esconder, transformando a história de vida de Rapunzel num grande e terrível eufemismo!
Bem, a vida de Rapunzel, desde o início, nunca foi fácil como a da Paris Hilton: no berçário, ela foi trocada, e ao invés de morar em um castelo como aqueles europeus que se vê muito nesses contos babacas, foi entregue a um traficante de cabelos (para você ver, como as coisas andam...), e viveu muitos anos em cativeiro. Agora, vamos pular para a parte em que ela tem vinte anos, que é quando as princesas de contos de fadas são salvas por seus príncipes. Eis que surge um viajante. E todos pensam: “oh, agora a garota será salva, porque apareceu um príncipe”. Mas, como quem manda aqui sou eu, e como eu quero que este seja um conto de fadas nem um pouco ortodoxo, o viajante foi morto pelos traficantes. Não me critique, apenas preste atenção ao que acontecerá a seguir. Os traficantes saem para dar um jeito no corpo, e a Rapunzel careca fica sozinha em casa. E agora sim, aparece outro viajante. E nas cabecinhas de vocês, o seguinte pensamento: “oh, agora esta autora imbecil vai deixar Rapunzel escapar”. Mais ou menos. Digamos que vocês erraram. Neste momento, o viajante bate a porta, e a infeliz vai atendê-lo. Ele pede um copo de água, e pergunta por que ela é careca. Ela lhe explica a história, e ele fica penalizado. E você imagina: “oh, agora ele pedirá a sua mão em casamento”. Ora, não me amole! Ele lhe convida para fugir com ele e com seu namorado, ela aceita. Sim, ele é gay. Algum problema? Pois então, vamos continuar. Ao contrário do que você pensa o viajante e seu namorado não são ricos, mas tem pelo menos um carrinho, e então eles fogem com um dinheiro que os traficantes muito burros, deixavam debaixo de um sofá. O viajante gay, muito esperto, dá à Rapunzel uma peruca, que segundo ele ficou um PE-RI-GO! Eles chegam a um lugar legal, onde tem um castelo daquele tipo europeu, como dos contos de fadas, e conhecem uma princesa que lhes mostra o reino. E todos podem imaginar: “oh, esta é a parte em que Rapunzel descobre seus pais verdadeiros”. Por pouco. Na verdade, a princesa não era a trocada. Sim, era apenas mais uma. Depois de tornarem-se amigas, a princesa lhe deu dinheiro, roupas, jóias e uma missão: matar um traficante de cabelos, que por que eu quero e porque eu mando, era o mesmo que prendera Rapunzel por anos. Eles aceitam a missão com um sorriso maligno nos lábios, e partem para sua jornada. Mas, como eu não estou a fim de contar tudo em detalhes, só lhes digo que não sobraram nem restos dos traficantes. Os três voltaram para o reino, receberam suas generosas recompensas, montaram uma empresa de perucas, e aí, você com toda a certeza, vai pensar: “oh, agora eles viverão felizes para sempre”. Veja bem, como eu que mando, eu quero que você saiba: se eu não estivesse com tanto sono, com certeza eu inventaria mais um monte de coisas aqui, e ficaria enchendo lingüiça, e falando mais um monte de baboseiras, mas... Ah, quer saber? Para essa garota aí, do jeito que ela já sofreu, eu ainda arrumo um namorado bonitão, inteligente, carinhoso, bem-humorado, que não deixa toalha molhada em cima da cama, e... Particularmente, eu não acredito nenhum pouco em finais felizes, mas abro uma exceção... Só para ela! Não acostumem não, estão me ouvindo?! Eu vou voltar, está bem! Eu vou voltar e...
ATENÇÃO: É COM GRANDE PESAR QUE INFORMAMOS O ESTRANHO DESAPARECIMENTO DE NOSSA QUERIDA AUTORA, POR MOTIVOS ALHEIOS A NOSSA VONTADE. PODE FESTEJAR A VONTADE, MAS PARE DE LER. PARE DE LER AGORA, PARE DE LER, ESTÚPIDO! NÃO VAI PARAR NÃO, É? SIOP OÃTNE UE UOV REVERCSE ED ETNERF ARAP SÁRT. ODIPUTSE, ERAP ED REL ASSE AGORD ESSEN OTAXE OTNEMOM, UO IAV ES REDNEPERRA!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Verdade Sobre Cinder

Olá amiguinhos! Eu sou a autora desta... História... E hoje, estou aqui, devido a um probleminha, ou a solução dele, seria o termo mais apropriado... O narrador despediu-se semana passada, ou melhor, foi despedido. Seria difícil estar aqui e na delegacia ao mesmo tempo... Mas, a vida é assim, cheia de surpresas, pequenos... Bem, vamos então à história de hoje, A verdade sobre Cinder!
Era uma vez uma menina boazinha que tinha uma madrasta má e duas irmãs piores... Calma aí, esse livro está de brincadeira comigo, não é? Faça-me o favor, seu livro! Todo mundo sabe, que essa Cinder aí não é nenhuma santinha mesmo! Para que ficar disfarçando as coisas? Aqui não há contos de fadas e animaizinhos que falam, e sim a verdade, amigos! Está bem, está bem, me empolguei um pouco, mas, como todos estão mais do que cansados de saber, a Cinder não era santa. Ela infernizava todo mundo, só porque era órfã, com aquele discurso de que era sofrida, não tinha pai, e era judiada pela madrasta, e blá, blá, blá. Mentira! Sofrida coisa nenhuma, vivia na maior das mordomias, se fingia de santinha, mas era mesmo uma grande falsa! As duas irmãs eram realmente duas patricinhas metidas e fúteis, mas judiar de Cinder? Aí já seria demais, não é mesmo? Cinder era uma assassina profissional, amigo! Essa é a verdade! Pode chocar-se a vontade, lembrando da doçura de seus pais contando que Cinder era doce e humilde... ERA TUDO UMA FARÇA, AMIGO! Cinder matou, a sangue frio o próprio pai, numa noite chuvosa. Matou a mãe em uma noite de verão. Matou muitos cidadãos de bem, em noites de outras estações do ano. E em dias também. E agora, criança, você se pergunta: por que Cinder faria isso? Eu lhe respondo: por dinheiro! Veja aonde este mundo vai parar! Por dinheiro! Cinder pertencia a um grupo de extermínio. Matava devedores, agiotas, maridos traidores, ou qualquer outro tipo de ser humano. Pois bem, agora, a próxima vítima era o príncipe todo bonitão, que cá entre nós, era bem melhor de boca fechada. Um doce de menino, mas burrinho... Se Cinder executasse a tarefa de maneira correta, pagar-lhe-iam uma fortuna inestimável, já que o príncipe era muito invejado. Eis que surge a oportunidade que Cinder, a matadora, não poderia perder; um baile. Oferecido pelo príncipe bonitinho. O plano era simples: ela diria estar muito cansada para ir ao baile, e quando as irmãs patricinhas saíssem, entraria em ação. Usaria uma máscara, e iria ao baile, pronta para exterminar o pobre príncipe. Era só dançar com ele, e afastá-lo da droga de baile, prendendo-o em uma terrível e fatal armadilha. Eis que é chegado o dia do baile, e, com tudo planejado para acontecer as onze e meia, Cinder espera suas irmãs saírem, e sai em seguida, mascarada e armada até os dentes, caso houvessem guardas. À hora do crime, o príncipe palerma já totalmente rendido aos encantos da bela Cinder, aceita seu convite para se afastarem dali, e logo, estavam caminhando pelo bosque escuro e perigoso... Para ele. Eis que, enfim, o príncipe envia-lhe um sorriso encantador, e é correspondido... Com uma arma em forma de sapato de cristal apontada em sua direção (deixando James Bond no chinelo).
-Fim da linha, seu estúpido!
O barulho de um tiro assustou a todos os convidados da festa, que saíram correndo horrorizados. O relógio marcava exatamente meia noite, e, Cinder deixava o local do crime sorrateiramente como um lagarto no deserto.
Andando pelos becos escuros onde explode a violência, Cinder é surpreendida por um revólver em sua cabeça.
-Onde pensa que vai, “gata borralheira”? - Um par de algemas prende as mãos de Cinder rapidamente, enquanto uma mão tapa sua boca – você está presa em nome do rei. Ou melhor, da lei. Tanto faz, o rei é a lei nos contos de fadas, então, é tudo a mesma coisa. Não interessa, você está presa e agora, qualquer palavra que você disser poderá ser usada contra você, bandida!
- Mas quem é você para me prender, hein?
- Sou o agente secreto narrador!
Mostrando o distintivo, o agente secreto narrador prende a bandida de alta periculosidade no camburão em forma de abóbora e a leva até a delegacia dos contos de fadas, onde está presa a fada do Shrek, para que ela apodreça na cadeia (porque só mesmo no mundo dos contos de fadas a justiça realmente funciona, entendem?).
E agora, como se deve dizer em todo final feliz, “mais uma vez o dia foi salvo pelo Narrador!”

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Negocinho Vermelho

Olá, crianças, hoje graças ao nosso grande e bom Deus, aquele estagiário insuportável faltou, para a alegria e melhor desenvolvimento da humanidade, e eu me pego pensando: terá morrido? Terá sido atropelado? Tomara, não é mesmo? Pois bem, já que teremos paz hoje, lerei a vocês aquela historinha super divertida da menininha pentelha com um laço vermelho, alguma coisa vermelha, tipo sangue, ou chapéu:
Era uma vez, uma menina insuportavelmente chata e desobediente, que não se contentava em encher o saco apenas da mãe, mas também da pobre avó, que mesmo com o pé na cova, tinha que agüentar a infeliz todo dia na sua casa, coitada!
Pois certo dia, a menina do negócio vermelho foi até a casa da pobre velha com uma mochila cheia de lanchinhos, salgadinhos, bolachas, chocolates e tortas gostosas, e refrigerantes e mais um monte de coisas, e... Ai, que fome!
(pigarreando): Bem, aonde é que eu havia parado? Ah, sim, me lembrei! A mãe da tralha disse para ir pelo caminho certo, mas, estamos falando de uma menina chata e sedentária, que quer cortar caminho pela floresta do lobo salvador da pátria (aquele mesmo que nos fez o favor de acabar com a raça dos três porquinhos chatos). A menina do negócio vermelho foi andando e cantando, e cantava mais alto, e cantando e andando, e... CHEGA! Que voz horrível, menina, cale essa boca, pelo amor de Deus! (eu odeio esse trabalho!)
Quando ela se deparou com o lobo salvador da pátria, perguntou-lhe:
-Ô seu lobo, o senhor é feio assim mesmo ou isso é só uma máscara?
-Na verdade hoje, eu resolvi sair de casa com um espelho na cara, pequena criança! Agora não me amole, e diga lá: o que há nessa mochila maior que você?
-Nada não, são só uns lanches pra minha avó!
-Legal, bem na hora do almoço! Agora me passa essa mochila aqui, vai, anda rápido, menina chata!
-Olha para a minha cara de quem alimenta lobo vagabundo! Agora, se me permite, vou andando, que a minha avozinha está doida por uns docinhos!
-Insolente! Você verá o que eu vou fazer com esses docinhos, garota!
E a menina do laço sangrento saiu, mostrando a língua para o lobo, que não perdeu tempo, e foi correndo até a casa da vovó. Chegando lá, bateu na porta dela, que por sinal, era uma antiga amiga sua, e ficou bem feliz em receber uma visita agradável.
-Ô dona Gertrudes, aquela sua neta chata está vindo aí, melhor se esconder rápido, e deixe um bilhete dizendo que foi a feira!
-Ó, que terrível! Muito obrigada, seu lobo, por me avisar! Pelo menos hoje me livro daquela peste! Mas... Como faremos para que ela não me veja aqui?
-Elementar, minha cara Gertrudes! Eu tenho um plano! Venha comigo!
Enquanto isso, a menina do laço sangrento passeava pelo bosque, cantando com sua voz terrivelmente assombradora, levando a mochila para a casa da avó, que a essa altura, está jogando baralho com o lobo doidão e o lobo salvador da pátria, que são ótimos amigos. Quando a peste chegou à casa da dona Gertrudes, bateu, bateu e bateu na porta, mas ninguém veio atendê-la (situação comum quando não há ninguém em casa). Que engraçado! Deu-se mal! Tenho frouxos de risos ao imaginar esta cena! Então, ela lembrou-se das palavras vingativas do lobo vingativo, que com certeza tem alguma coisa a ver com essa história!
(pensa consigo mesma): tenho que achar o esconderijo do lobo!
E a menina é tão pentelha, chata, insuportável, inconveniente, que achou mesmo a porcaria do esconderijo! Droga!
O lobo doidão, que é burro como uma porta achou que fosse o motoboy e a pizza de calabresa, e foi atender, mas, era a pentelha insuportável, que veio “buscar” a dona Gertrudes, pobre coitada!
-Vovó! Que bom que a encontrei! Esses lobos inescrupulosos e nojentos lhe fizeram algum mal? Eu já chamo o caçador, só um minutinho...
-Não será preciso, sua insuportável! Você caiu na armadilha! Até eu que sou o caçador de lobos, não agüento mais você! Você é tão chata que me liga todo dia para torrar a minha paciência! Pois agora, eu lhe digo: não vou te ajudar! Nos últimos dias, andei conversando com o lobo, e ele disse que você é quem fica cantando aquelas musiquinhas insuportáveis do Barney! E ainda por cima, com essa voz horrível, tenebrosa! Adeus, menina chata!
E foi-se embora o caçador. A menina ficou triste, nunca havia percebido que era tão chata assim. Apelou para a avó:
-Mas você ainda gosta de mim, não é vovó?
-Nem um pouco! Você é adotada, sua chata! Você me irrita todos os dias, trazendo esses doces, parece até de propósito, como se não soubesse da minha diabetes!
A vovó foi embora. A menina abaixou a cabeça. Na verdade, não sabia da existência de nenhuma tia Bete, mas achou melhor não dizer nada. Tentou falar com o lobo doidão:
-Senhor lobo, pelo menos o senhor vai ficar do meu lado, não é mesmo?
- Estou fora! Você é a garotinha mais chata que eu conheço! Eu hein! Vou vazando daqui, isso sim! Vamos salvador?
-Já mesmo!
O lobo doidão e o lobo salvador da pátria se foram. Só sobrou a chatinha vermelho. Ela no fundo, não era uma pessoa má, só queria um amigo, um namorado, ou alguém para encher o saco. É um tipo de doença mental, é novo, não se trata de uma simples loucura, como a da autora dessa porcaria de história, que pelo amor de Deus, é realmente muito ruim. Deprimida e sozinha, acabada, sem ninguém para encher o saco, decidiu se suicidar. Mas, antes que pudesse achar qualquer objeto pontiagudo ou cortante, eis que chega alguém, um rapazinho a porta, acena para a chatinha vermelho, e diz:
-NÃO! Não se mate coisinha! Eu sou seu fã, sempre fui e sempre serei e não permitirei que você faça algo assim! Sou o estagiário! E avisem ao narrador que eu nunca mais quero ir até essa porcaria de trabalho! Eu odeio ele e todos vocês! Faltei hoje porque sabia que ele ia acabar com a coisinha, como fez com os três porcos idiotas, e vim impedir! Eu a amo, garotinha! Sei que nunca alguém teve a coragem de dizer isso antes, mas, é a verdade! Seus cabelos negros, e esse negocinho vermelho não me deixam dormir desde a pré-escola, quando ouvi sua história pela primeira vez! Case-se comigo!
Pedido aceito, todos felizes! Não é ótimo?
E as duas malas viveram felizes para sempre, tiveram muitos filhinhos chatos e eu fiquei livre daquele infeliz!

Moral: imoral. Totalmente. Esse fim ficou terrivelmente péssimo, é uma “chapeuzinho dark” e seu namorado estagiário estúpido. Ah, lastimável. Vou-me embora logo, antes que inventem “o lado oculto de Cinder”. Credo!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Era Uma Vez, Um Gato Xadrez... (nonsense dos tres porquinhos)

Era uma vez, uma menina boazinha, que tinha uma madrasta má, e duas irmãs piores...
-Não, narrador, não é esta história... A outra página!
-Ah, sim, claro, muito obrigado, meu filho... Estagiários...
(pigarreando): pois bem, amiguinhos... Hoje vou ler a vocês o romance de Jorge Amado, Mar Morto...
-NÃO! Senhor narrador, não este livro, é o outro, amarelo, ali atrás, veja...
-Ah, sim, aqui, este, achei...
(morrendo de vergonha, querendo matar seu estagiário, e pigarreando outra vez): Sim, pequenos, esta história começa no dia em que três porquinhos bem alienados, que achavam que saberiam viver sem a mamãe saíram de casa...
Os porquinhos fanfarrões foram embora, dizendo:
(porquinho nº 1, mais velho, e nem por isso mais maturo): não precisamos dela...
(porquinho nº2 teria que ser o do meio, mas hoje eu quero que ele seja o mais novo, então, será o mais novo, e mais idiota): com certeza, maninho, vamos nos virar muito bem!
(porquinho nº3, um porquinho besta e mimadinho, que batia no mais novo, e apanhava do mais velho): calem-se! Estou ouvindo um barulho estranho...
(nº2, querendo fazer graça): deve ser sua barriga, mano!
(nº1 quer impor respeito porque nasceu antes): isso porque a barriga dele é vazia como seu cérebro! Cale-se, porquinho mais novo e idiota!
Calaram-se todos por um minuto, a fim de entender do que se tratava o barulho, e logo, como eram todos uns dementes, chegaram à conclusão de que não era nada, e que o porquinho que ouviu um barulho (não me recordo agora qual deles falou isso) era um doido.
Os três porquinhos, exemplo perfeito de como ser bobo e perfeitamente idiota, decidiram enfim, construir uma casa, afinal, teriam que dormir em algum lugar, e não sabiam aonde. Pensando nisso, o porquinho nº3, que antes era o porquinho do meio, mas agora quero que seja o mais velho, chamou o do meio, que agora será o nº1, e ordenou-lhe que construísse um palácio para ele. O porquinho do meio, que também era bobo, disse que não faria palácio coisa nenhuma, e que, se ele quisesse uma lenha, ou um tijolinho, teria que pegar sozinho. Os porquinhos, depois de muito discutirem, decidiram que quem quisesse ter uma casa para dormir, teria que fazer uma. O porquinho mais bobo e mais novo foi o primeiro a começar sua casa e ao passar duas horas terminou uma casinha horrível que mais parecia uma barraca de acampamento, deitou-se e foi dormir. O porquinho mais velho, bem burro, buscou na selva umas folhas e cipós, e também alguns galhos, fez uma casa bem vagabunda e foi dormir. O terceiro porco, o do meio, esperou os dois irmãos dormirem, e deu no pé, a chamar o lobo doidão, seu amigo inescrupuloso de ginásio, parceiro de bagunças e guerras de bolinha de papel, para que desse um susto nos outros dois irmãos.
O lobo doidão estava doente, e então, não poderia ajudá-lo. Vendo-se sem casa, e sem farra, o porquinho besta resolveu ficar ali com o lobo doidão, fazendo-lhe companhia. Ao calar da noite, no silencio e na escuridão, os dois porquinhos, bobo (caçula) e idiota (mais velho) dormiam em suas casas horrorosas e mal construídas, enquanto o lobo mal e selvagem da silva, que fazia jus a seu nome, e devorava porquinhos bobos, idiotas e bestas, em apenas um instante, veio se aproximando, bem quietinho, bem astuto, das casinhas dos porquinhos. Está certo que, se o lobo mal e selvagem da silva devorasse os porquinhos, bobo e idiota, faria um imenso favor a humanidade, mas infelizmente, os porquinhos são os protagonistas, e sendo assim, não podem morrer no final, o que, aliás, até me faz desanimar de contar essa história do jeito certo. Já sei! Vou inventar o resto da história, para termos mais emoção! E que aquele estagiário metido e inútil não me interrompa, e nem me ensine a executar minha profissão, ouviram bem? Que não me interrompa!
Pois bem, paramos na parte em que o lobo mal e selvagem da silva ia chegando perto da casa dos porquinhos, e ia chegando perto das casinhas, e ia... Opa! E agora? Qual casinha ele ataca primeiro? Na história real, diziam que ele iria primeiro a casa do mais novo, mas se for a uma casa o outro vai ouvir o barulho dos ossos sendo quebrados, e dos gritinhos do porco bobo, e vai sair correndo, depois de ver a sombra do lobo mal. Melhor fazer de uma forma diferente: as casinhas dos porquinhos eram bem uma do lado da outra, e então, o lobo mal e selvagem da silva, que, a esta altura já nem é mais tão mal e selvagem assim, e pode muito bem ser chamado de salvador da pátria, poderia muito bem derrubar as duas casinhas com uma mão, e com a outra agarra os irmão que sairiam correndo com o barulho.
Brilhante! O lobo salvador da pátria derrubou as duas casinhas e os dois acordaram, saíram correndo, e foram agarrados pelo lobo salvador da pátria! Eles foram despedaçados, destroçados, desossados! Ah, que alívio! Eles eram dois insuportáveis mesmo, e... Ei! Espere aí, seu lobo! Não eram três porcos inúteis? Sim, três, veja: bobo, que era o mais novo, aqui jaz, viveu apenas doze anos de idade, o idiota, que era o mais velho e viveu dezoito, e o do meio, o porquinho Besta! Este o senhor não pegou, senhor seu lobo! Ele está lá na casa do senhor seu lobo doidão, que está doente!
(senhor lobo salvador da pátria de meia pataca, com cara de interrogação): bem, sendo assim, vou até lá, visitar meu compadre doidão, e pegar o porco besta!
E assim foi o senhor lobo salvador da pátria de meia pataca, a pegar o porco besta e cumprimentar seu amigo. Chegando lá, os dois dormiam. Foi bem fácil. Devorou o porco besta em dois segundos e, ouvindo os ruídos, o lobo doidão acordou:
(lobo doidão, com voz de gente gripada, e garganta inflamada): amigo mal e selvagem, quanto tempo! O senhor viu o porco besta por aí? Aquele infeliz disse-me que me faria companhia e fugiu! Ainda pego ele!
(lobo salvador da pátria por completo): não precisa amigo! Já o devorei agorinha há pouco! Ele e seus dois irmãos, imbecil e estúpido, ou outros nomes assim!
(lobo doidão): Oh! Que bom que o senhor acabou com aquela família de porcos falsos e invejosos! Aquele porco besta era mesmo muito mentiroso!
E assim, os lobos amigos tomaram um chá, e jogaram baralho, e ficaram conversando, e como diria uma antiga professora minha do primário, “acabou-se a história, e morreu vitória”, ou algo assim. Nem me lembro, eu odiava essa frase!
Moral: seria melhor ter lido Mar Morto!